O lóbulo da orelha é uma região delicada, formada principalmente por pele e tecido adiposo, sem cartilagem. Apesar de parecer uma estrutura pequena e resistente, ele pode sofrer alterações importantes ao longo da vida. Uma das mais comuns é o lóbulo da orelha rasgado ou alargado, geralmente relacionado ao uso de brincos pesados, traumas ou ao envelhecimento.
Um lóbulo rasgado pode dificultar ou até impedir o uso de brincos, além de causar desconforto e afetar a autoestima.
A boa notícia é que, na maioria dos casos, trata-se de uma alteração que pode ser corrigida por procedimentos relativamente simples.
Nesse artigo vamos discutir as principais técnicas utilizadas para correção de furos alargados, orelhas rasgadas, orelhas flácidas e outras alterações do lóbulo auricular
Mas quem é o profissional que trata do lóbulo da orelha rasgado?
A cirurgia de correção do lóbulo da orelha faz parte da cirurgia dermatológica e pode ser realizada pelo cirurgião dermatológico, após avaliação individualizada.
A correção de furos alargados pode ainda ser feita pela quimiocirurgia, que também é realizada pelo dermatologista.
A flacidez no lóbulo auricular também é tratada pelo dermatologista.
Quem é a Dra. Ana Pia?
A Dra. Ana é dermatologista e cirurgiã dermatológica, com larga experiência na correção de orelhas rasgadas e outras alterações do lóbulo auricular.
No seu currículo ela tem:
- Mais de 30 anos de experiência no consultório
- 3 anos de residência em Dermatologia
- Mestrado em Dermatologia
- 30 anos de Dermatologista na Universidade Federal do Rio de Janeiro, trabalhando com ensino no internato com a formação de novos médicos e residentes, inclusive na parte de cirurgia dermatológica
- Trabalhou como Dermatologista do Serviço Médico da VARIG por 10 anos, onde sempre realizou os procedimentos de cirurgia de lóbulo auricular
- Está em constante aperfeiçoamento, sempre buscando atualização e novas técnicas, através de treinamentos, congressos e educação médica continuada
- Sócia Efetiva da Sociedade Brasileira de Dermatologia
- Especialista em Dermatologia e Cirurgia Dermatológica pela SBD e pelo Ministério da Saúde

Cirurgiã Dermatológica
E o que dizem os pacientes?



Por que o lóbulo da orelha rasga?
O lóbulo pode sofrer um processo progressivo de alongamento e enfraquecimento.
O uso contínuo de brincos exerce uma força de tração sobre a pele.
Com o passar do tempo, essa tração pode aumentar o orifício do brinco, alongá-lo e, em alguns casos, provocar uma ruptura completa.
Entre as principais causas estão:
- uso frequente de brincos pesados;
- brincos que ficam presos em roupas, cabelos ou acessórios;
- puxões acidentais;
- trauma do pente ou escova de cabelos
- Dormir com o brinco nas orelhas
- traumas;
- uso de alargadores;
- envelhecimento da pele;
- perda de elasticidade e redução da sustentação dos tecidos;
- alterações decorrentes de cicatrizes ou cirurgias anteriores.
Em algumas pessoas, diferentes fatores atuam conjuntamente.
Um lóbulo que já apresenta um furo aumentado pela utilização prolongada de brincos, por exemplo, pode romper-se mais facilmente após um pequeno trauma.
Nem todo lóbulo rasgado é igual
Um aspecto importante da avaliação pelo cirurgião dermatológico é identificar exatamente qual alteração está presente. Existem diferentes graus de comprometimento do lóbulo, e a técnica cirúrgica deve ser escolhida de acordo com o formato, a extensão da lesão, a quantidade de tecido disponível e o resultado desejado.
1. Furo do brinco aumentado
É uma das alterações mais frequentes e também uma das mais leves.
Nesse caso, o lóbulo não está completamente dividido. O orifício do brinco, entretanto, encontra-se muito aumentado, podendo apresentar formato ovalado ou alongado.
Algumas vezes, o furo chega próximo à borda inferior do lóbulo, deixando apenas uma pequena quantidade de tecido entre o orifício e o final da orelha.
Embora possa parecer um problema pequeno, esse tipo de alteração pode evoluir para um rasgo completo.

2. Rasgo parcial
No rasgo parcial, existe uma ruptura do lóbulo, mas ainda permanece uma ponte de tecido unindo suas duas partes.
Pode haver diferentes graus de comprometimento. Em alguns casos, a abertura é pequena; em outros, o rasgo já se aproxima da borda inferior.
A avaliação é importante porque simplesmente retirar o tecido lesionado nem sempre é a melhor opção. É necessário preservar o máximo possível de tecido saudável e reconstruir o lóbulo de maneira que ele mantenha um formato natural.

3. Rasgo completo
É a situação em que o lóbulo está completamente dividido, formando duas partes separadas.
Frequentemente, o rasgo se inicia no antigo orifício do brinco e progride até a borda inferior do lóbulo.
A correção consiste em reconstruir essa separação, retirando, quando necessário, pequenas áreas de tecido cicatricial e aproximando cuidadosamente as bordas.
O objetivo não é apenas “fechar o buraco”. É reconstruir o contorno do lóbulo, buscando uma cicatriz discreta e uma aparência natural.

4. Rasgo associado a cicatriz ou deformidade
Alguns pacientes apresentam uma lesão antiga, já cicatrizada, que deixou o lóbulo deformado.
Nessas situações, pode existir tecido cicatricial endurecido, assimetria, espessamento ou alteração do formato da borda.
A cirurgia pode envolver a retirada seletiva do tecido cicatricial e a reconstrução da região, permitindo melhorar tanto a forma quanto a qualidade da cicatriz.

5. Lóbulo muito alongado ou envelhecido
Nem sempre existe um rasgo propriamente dito. Com o envelhecimento, o lóbulo pode ficar mais comprido, fino e flácido.
A perda de elasticidade, associada à ação da gravidade e ao uso prolongado de brincos, pode modificar significativamente seu formato.
Nesses casos, a cirurgia pode ser planejada não apenas para fechar um furo, mas também para remodelar o lóbulo e melhorar suas proporções.

6. Alargamento provocado por expansores
O uso de alargadores pode produzir uma abertura muito maior do que a provocada por um brinco convencional.
Dependendo do tamanho do alargamento, pode ser necessária uma reconstrução mais elaborada, com retirada de tecido excedente e remodelação do lóbulo.
Quanto maior a alteração, mais importante é avaliar individualmente a quantidade e a qualidade dos tecidos disponíveis.

7. Orelhas com queloides após perfurações ou procedimentos mal-sucedidos.
A cicatriz queloideana surge após processos inflamatórios mais intensos e prolongados quando a perfuração ou o trauma do brinco/piercing traumatiza a orelha.
Nesse caso, devem ser feitos a remoção cirúrgica do queloide, a reconstrução da orelha e o acompanhamento com infiltração intralesional de corticosteroides.


Como é feita a cirurgia?
A correção do lóbulo rasgado geralmente é realizada com anestesia local.
Antes do procedimento, o cirurgião dermatológico avalia o tamanho e o formato do lóbulo, a extensão da ruptura, a qualidade da pele e a presença de cicatrizes.
Também são analisadas as expectativas do paciente.
Essa etapa é importante porque dois lóbulos aparentemente semelhantes podem exigir técnicas diferentes.
Durante a cirurgia, o tecido cicatricial das bordas do rasgo pode ser cuidadosamente removido. Essa etapa é chamada de regularização ou ressecção das bordas e tem como objetivo criar superfícies adequadas para a cicatrização.
Em seguida, as bordas são aproximadas e suturadas em planos adequados.
O fechamento cuidadoso é fundamental para que a cicatriz fique o mais discreta possível e para que o lóbulo mantenha um contorno harmonioso.

Técnicas diferentes para problemas diferentes
Não existe uma única técnica para todos os casos.
Em lesões pequenas e simples, pode ser suficiente realizar a retirada do tecido cicatricial e um fechamento direto.
Em situações mais extensas, o cirurgião pode utilizar diferentes desenhos de incisão e formas de sutura para distribuir melhor a tensão e preservar o formato do lóbulo.
Em alguns casos, técnicas de retalhos locais podem ser utilizadas. Nelas, o próprio tecido do lóbulo é reorganizado para reconstruir a região, especialmente quando existe perda de tecido ou uma deformidade mais complexa.
Algumas vezes, com defeitos menores, é possível fazer a correção com aplicação de ácido tricloroacético com oclusão e acompanhamento semanal pelo dermatologista.
O lóbulo da orelha flácido pode ser tratado com técnicas como preenchimento com ácido hialurônico e fios de bioestímulo, com melhora da textura e aparência.
No caso do queloide na orelha, a técnica consiste em remover o tecido cicatricial exagerado, fazer a correção da curvatura e acompanhar a cicatrização fazendo, se necessário, a infiltração de corticoides intralesionais.
A escolha da técnica depende, portanto, da anatomia de cada paciente e do defeito apresentado.
É possível corrigir os dois lóbulos na mesma cirurgia?
Sim. Quando os dois lóbulos apresentam rasgos ou alterações semelhantes, frequentemente é possível realizar a correção na mesma sessão.
Essa abordagem permite também comparar os dois lados durante o planejamento e buscar maior simetria.
O procedimento pode ser feito no consultório equipado para cirurgias, com anestesia local
E a cicatriz?
Toda cirurgia que envolve uma incisão na pele produz uma cicatriz. O objetivo da cirurgia dermatológica não é eliminar completamente a cicatriz — algo que não é possível —, mas posicioná-la e tratá-la de maneira que fique o mais discreta possível.
No lóbulo da orelha, a cicatriz geralmente pode ser bastante camuflada pelo próprio contorno da região.
A qualidade final da cicatriz depende de vários fatores, incluindo características individuais da pele, técnica cirúrgica, cuidados após o procedimento e tendência pessoal à formação de cicatrizes mais espessas.
Em algumas pessoas, a cicatriz pode ficar inicialmente avermelhada ou endurecida e melhorar progressivamente ao longo dos meses.
Por isso, o resultado definitivo não deve ser avaliado imediatamente após a cirurgia.

Quando posso voltar a usar brincos?
Essa é uma das perguntas mais frequentes.
Após a correção, é necessário permitir que o tecido cicatrize adequadamente antes de submetê-lo novamente à tração provocada pelos brincos.
O furo original é fechado na cirurgia, e um novo furo deverá ser feito mais para frente.
Mais importante ainda é entender que a correção do rasgo não significa que o lóbulo ficará resistente a novas agressões.
Se o paciente voltar a utilizar brincos muito pesados ou não modificar os fatores que provocaram o problema, existe possibilidade de novo alargamento ou ruptura.
É possível fazer um novo furo depois da cirurgia?
Sim, na maioria dos casos é possível fazer uma nova perfuração.
Porém, o novo furo não deve ser realizado imediatamente após a cirurgia. É necessário aguardar a cicatrização adequada e o fortalecimento do tecido.
Além disso, o local da nova perfuração deve ser cuidadosamente escolhido.
O ideal é que o novo orifício seja planejado de maneira a manter uma quantidade adequada de tecido entre ele e a borda inferior do lóbulo.
A perfuração também deve evitar, sempre que possível, a região da cicatriz anterior.
O momento apropriado para fazer o novo furo deve ser definido individualmente pelo cirurgião.
Aqui na clínica, os pacientes retornam cerca de um mês após a retirada dos pontos para fazer nova perfuração em local seguro.
E se o paciente quiser continuar usando brincos?
É perfeitamente possível continuar usando brincos após a reconstrução, mas alguns cuidados são importantes.
Brincos muito pesados devem ser evitados, principalmente aqueles utilizados por períodos prolongados.
Também é importante ter cuidado com acessórios que possam prender em roupas ou cabelos.
Brincos mais leves reduzem a força de tração exercida sobre o lóbulo.
Não dormir com os brincos é importante, pois além de diminuir a tração no furo, pequenas escoriações têm a chance de se recuperar, evitando o alargamento do furo.
Outra possibilidade, em algumas situações, é utilizar acessórios de suporte que distribuam melhor o peso do brinco.
A prevenção é fundamental porque um lóbulo que já sofreu uma ruptura pode apresentar maior vulnerabilidade a novas lesões.
E quando o lóbulo está apenas envelhecido?
A cirurgia também pode ser indicada para pacientes que não apresentam um rasgo, mas se incomodam com o lóbulo alongado, flácido ou excessivamente fino.
Nesses casos, o planejamento é diferente.
O cirurgião pode realizar uma remodelação do lóbulo, retirando pequenas quantidades de pele excedente e reposicionando os tecidos para recuperar um formato mais proporcional.
O objetivo é obter um resultado natural, evitando que o lóbulo fique excessivamente pequeno ou com aspecto artificial.
Em determinadas situações, procedimentos complementares devem ser considerados:
O lóbulo da orelha flácido pode ser tratado com técnicas como preenchimento com ácido hialurônico e fios de bioestímulo, com melhora do volume, textura e aparência.
O procedimento dói?
A cirurgia é realizada sob anestesia local, portanto o paciente não deve sentir dor durante o procedimento.
Pode ocorrer um pequeno desconforto após o efeito da anestesia passar, além de inchaço ou sensibilidade na região.
Quando necessário, o cirurgião orientará os cuidados e as medidas apropriadas para o período pós-operatório.
Quanto tempo dura a cirurgia?
A duração varia de acordo com o tipo de alteração.
Correções simples podem ser relativamente rápidas, enquanto reconstruções mais complexas podem exigir mais tempo.
Como geralmente se trata de um procedimento realizado com anestesia local e sem necessidade de internação, o paciente costuma retornar para casa após a cirurgia.
Apesar de ser um procedimento de menor porte, isso não significa que o planejamento seja menos importante. Pequenas diferenças na técnica podem influenciar significativamente o formato final do lóbulo.
O que acontece depois da cirurgia?
Nos primeiros dois dias, pode haver:
- discreto inchaço;
- sensibilidade;
- sensação de tensão na região.
Aqui na clínica fazemos um curativo que pode ser lavado já no dia seguinte, mas que só será removido na data de retirar os pontos (geralmente após 1 semana).
É importante não manipular a região, arrancar crostas ou pressionar a cicatriz.
Existe risco do lóbulo rasgar novamente?
Sim.
A cirurgia corrige a ruptura existente, mas não impede que uma nova lesão aconteça no futuro.
O risco aumenta quando o paciente volta a utilizar brincos muito pesados, sofre novos traumas ou submete o lóbulo a tração repetitiva.
Por isso, a prevenção faz parte do tratamento.
Um lóbulo reconstruído deve ser tratado com cuidado, especialmente durante os primeiros meses.
Quando procurar o cirurgião dermatológico?
A avaliação especializada é indicada quando o furo do brinco começa a aumentar, quando o lóbulo está ficando muito fino ou alongado ou quando ocorre uma ruptura.
É preferível avaliar o problema antes que ele se torne mais extenso.
Nos casos de rasgos recentes, também é importante procurar atendimento médico para avaliar a lesão e definir o melhor momento para a reconstrução.
Traumas associados a ferimentos contaminados ou sinais de infecção exigem avaliação médica adequada, para prevenção de cicatrizes queloideanas.
O mais importante é individualizar a correção
A cirurgia do lóbulo rasgado pode parecer um procedimento simples, mas exige atenção aos detalhes.
O objetivo não é simplesmente “costurar a orelha”. É reconstruir uma estrutura delicada, preservando seu formato, proporção, espessura e simetria.
Por isso, o cirurgião dermatológico deve avaliar:
- o tamanho da ruptura;
- se ela é parcial ou completa;
- a quantidade de tecido disponível;
- a presença de cicatrizes;
- a espessura da pele;
- o formato original do lóbulo;
- a simetria entre as duas orelhas;
- o desejo do paciente em voltar a usar brincos;
- e a necessidade ou não de remodelar o lóbulo.
Em casos simples, uma correção direta pode produzir excelentes resultados.
Em casos mais complexos, técnicas de reconstrução e remodelação vão demandar um número maior de consultas e procedimentos adicionais.
Um pequeno problema, uma grande diferença
O rasgo do lóbulo da orelha é uma alteração muito comum e, em geral, apresenta boas possibilidades de correção.
Além da melhora estética, a cirurgia pode devolver ao paciente a possibilidade de utilizar brincos com mais segurança e recuperar a confiança na aparência das orelhas.
A avaliação individual é o primeiro passo para definir qual técnica será mais adequada.
Como em qualquer procedimento cirúrgico, o resultado depende da anatomia de cada pessoa, da técnica utilizada, da cicatrização e dos cuidados no período pós-operatório.
Se você percebe que o furo do seu brinco está aumentando, que o lóbulo está se alongando ou que já ocorreu uma ruptura, não é necessário esperar que o problema se torne maior. A avaliação com um cirurgião dermatológico pode determinar o melhor momento e a melhor estratégia para reconstruir o lóbulo, buscando um resultado funcional, proporcional e natural.
Leia também:
Tratamento cirúrgico de outros problemas da pele
Como melhorar o aspecto dos lóbulos auriculares e outras regiões da pele
Respostas de 2