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Dra Ana Pia Gomes Coelho Dermatologia Clinica no Rio de Janeiro – RJ

1. Introdução

Qual a relação entre câncer e pele?

A pele é o maior órgão do corpo humano e apresenta intensa renovação celular, tornando-se particularmente vulnerável aos efeitos do câncer e aos tratamentos antineoplásicos.

Além do impacto físico, as alterações dermatológicas possuem forte repercussão emocional e social, interferindo diretamente na autoestima, imagem corporal e qualidade de vida do paciente. Por isso, o reconhecimento precoce e o manejo adequado dessas manifestações são fundamentais dentro da abordagem multidisciplinar em oncologia.

Quem Cuida das Alterações na Pele Relacionadas ao Câncer e Quimioterapia

O médico que trata dessas alterações é o Dermatologista com experiência clínica em Oncologia.

A Dra. Ana Pia é Dermatologista há 35 anos e tem larga experiência com casos de câncer.

Faz, com frequência, o acompanhamento individualizado de casos de dermatoses associadas ao câncer e quimioterapia, juntamente com o Oncologista.

câncer e peleDra Ana Pia é especialista
Dra. Ana Pia, dermatologista há 35 anos.

No seu currículo a Dra. Ana tem:

  • Mais de 30 anos de experiência no consultório
  • 3 anos de residência em Dermatologia
  • Mestrado em Dermatologia
  • 30 anos de Dermatologista na Universidade Federal do Rio de Janeiro, trabalhando com ensino no internato com a formação de novos médicos e residentes, inclusive na parte de cirurgia dermatológica
  • Trabalhou como Dermatologista do Serviço Médico da VARIG por 10 anos, onde sempre realizou os procedimentos de cirurgia da pele.
  • Está em constante aperfeiçoamento, sempre buscando atualização e novas técnicas, através de treinamentos, congressos e educação médica continuada
  • Sócia Efetiva da Sociedade Brasileira de Dermatologia
  • Especialista em Dermatologia e Cirurgia Dermatológica pela SBD e pelo Ministério da Saúde

E o que dizem os Pacientes?

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Screenshot

Manifestações da Pele em Pacientes com Câncer

As manifestações cutâneas em pacientes com câncer são frequentes e podem decorrer tanto da própria doença oncológica quanto dos tratamentos utilizados, especialmente a quimioterapia.
Faremos uma divisão didática das alterações da pele relacionadas ao câncer, pela causa dessas alterações.

1. Alterações da Pele Devidas ao Tumor

1.1 Metástases Cutâneas

As metástases cutâneas ocorrem quando células tumorais se disseminam para a pele a partir de um tumor primário localizado em outro órgão. Elas podem se apresentar como:

  • Nódulos firmes
  • Lesões indolores
  • Crescimento rápido
  • Coloração da pele, vermelha ou violácea
Câncer e Pele: metastase cutânea
metastase cutânea de cancer de mama
Câncer e Pele: metástase
metastase cutânea câncer de mama.

Neoplasias como câncer de mama, pulmão, cólon e melanoma têm maior tendência a acometer a pele por disseminação metastática. A presença dessas lesões geralmente indica doença avançada e requer avaliação médica imediata.

1.2 Síndromes Paraneoplásicas Cutâneas

As síndromes paraneoplásicas são alterações que não decorrem da invasão direta do tumor, mas de respostas do organismo ao tumor.

1.2.1 Acantose Nigricans Maligna

Caracteriza-se por:

  • Espessamento da pele
  • Aumento da pigmentação nos locais acometidos
  • Acometimento de áreas de dobras (pescoço, axilas, virilhas)

Quando surge de forma súbita e extensa em adultos sem histórico metabólico, pode estar associada principalmente a neoplasias gastrointestinais.

Câncer e Pele: Acantose nigricans
acantose nigricans

1.2.2 Sinal de Leser-Trélat

Consiste no aparecimento súbito e múltiplo de ceratoses seborreicas – verrugas acastanhadas que surgem no dorso e áreas seborreicas – , podendo indicar neoplasias internas, especialmente do trato gastrointestinal.

Câncer e Pele: Sinal de Leser-Trelat
sinal de Leser-Trelat

1.2.3 Dermatomiosite Paraneoplásica

Doença inflamatória que acomete músculos e pele, apresentando:

  • Vermelhidão em torno dos olhos (heliotropo – violáceo nas pálpebras)
  • Pequenos nódulos no dorso dos dedos (pápulas de Gottron nas articulações das mãos)

Ocorre em adultos e pode estar associada a câncer de ovário, pulmão, pâncreas e estômago.

Câncer e Pele: dermatomiosite
Dermatomiosite. Pápulas de Grotton e telangiectasias nas cutículas.

2. Manifestações Cutâneas Relacionadas à Quimioterapia

A quimioterapia atua sobre células de rápida divisão. Como a pele, os cabelos e as unhas possuem alta taxa de renovação celular, tornam-se alvos frequentes de efeitos adversos.

2.1 Alopecia

A alopecia é uma das manifestações mais conhecidas e emocionalmente impactantes.

Trata-se da rarefação dos pelos no couro cabeludo e outras áreas do corpo, podendo levar à perda total de pelos.

Características:

  • Início geralmente semanas após o começo do tratamento
  • Pode ser parcial ou total
  • Frequentemente reversível após o término da quimioterapia

Impacto:

  • Alteração da imagem corporal
  • Sofrimento psicológico significativo

Medidas como o uso de toucas térmicas podem reduzir a queda em alguns casos.

Câncer e Pele: alopecia da quimioterapia
Queda de cabelos associada a quimioterapia

2.2 Alterações nas Unhas

As unhas também sofrem efeitos importantes, incluindo:

  • Fragilidade
  • Melanoníquia (escurecimento)
  • Linhas de Beau – sulcos ou depressões transversais (horizontais) que atravessam a lâmina ungueal, resultantes da interrupção temporária no crescimento da unha
Câncer e Pele: unhas de beau
Linhas de Beau
  • Onicólise (descolamento da unha)
  • Infecções bacterianas e por fungos – panariço, abscessos, candidíase, onicomicoses.

Cuidados preventivos incluem manter unhas curtas, evitar traumas e proteger as mãos.

2.3 Pele Seca e Coceira na Pele

A pele seca é uma manifestação extremamente comum.

Sintomas associados:

  • Descamação
  • Fissuras
  • Coceira intensa
  • Infecção nas áreas de descamação, coceira e fissuras
Câncer e Pele: dermatite fissurada
Pele seca e descamativa com fissuras

Como Evitar:

  • Uso diário de hidratantes sem perfume
  • Evitar banhos muito quentes
  • Utilizar sabonetes suaves. Lavar somente a face, as dobras e os pés com sabonete

3.4 Aumento da pigmentação da Pele

Pode ocorrer de forma:

  • Difusa – em todo o corpo
  • Localizada – Geralmente a cor se acentua nas áreas de atrito como pescoço, axilas e virilha
  • Ao longo de veias utilizadas para infusão de quimioterapia

Geralmente regridem após o término do tratamento.

3.5 Síndrome Mão-Pé (Eritrodisestesia Palmoplantar)

Essa alteração ocorre com as seguintes características, mais ou menos intensas de acordo com o caso.

  • Vermelhidão
  • Formigamento e Dor
  • Inchaço
  • Descamação
  • Formação de bolhas em casos graves

Cuidados recomendados para amenizar:

  • Evitar calor excessivo
  • Reduzir fricção e pressão
  • Manter hidratação intensa

Pode ser necessária redução de dose da Quimioterapia em casos severos.

Câncer e Pele: eritrodisestesia
Eritrodisestesia palmo-plantar.

4. Manifestações Cutâneas nas Terapias-Alvo

As terapias-alvo possuem perfil específico de toxicidade dermatológica.

4.1 Lesões inflamatórias tipo Acne ou Foliculite

Comum em inibidores de EGFR.

Características:

  • Lesões semelhantes à acne – Pústulas e lesões inflamadas
  • Locais mais comuns: face, couro cabeludo e tronco superior

Essas alterações, embora dramáticas, podem estar associadas a uma melhor resposta à quimioterapia, e podem ser aliviadas com o uso de antibióticos e antiacneicos.

Câncer e Pele: lesões acneiformes
Lesão semelhante á acne/ foliculite em paciente usando inibidores do EGFR

4.2 Reações Autoimunes na Imunoterapia

A imunoterapia modifica a resposta imunológica, e pode desencadear doenças com a formação de autoanticorpos, como efeito colateral.

As mais frequentes:

  • Vitiligo – surgimento de manchas brancas (totalmente sem cor) na face ou no corpo
  • Psoríase – placas muito descamativas nos joelhos, cotovelos, maos e pés e no couro cabeludo
  • Dermatites – Lesões descamativas e pruriginosas disseminadas
  • Doenças bolhosas – surgimento de bolhas, sobretudo e áreas de atrito ou trauma – penfigóide, pênfigo.

Essas manifestações devem ser tratadas e precisam de acompanhamento dermatológico especializado.

5. Infecções Cutâneas em Pacientes com a Imunidade Reduzida pelo Câncer ou pela Quimioterapia

A diminuição do número de leucócitos que ocorre com a quimioterapia aumenta o risco de:

  • Infecções bacterianas – foliculites, impetigo, furúnculos, abscessos e outros
  • Infecções fúngicas – candidíase nas mucosas da boca, genital ou nas dobras da pele – virilha, axilas, dobras dos dedos e nas unhas.
Câncer e Pele: candidíase
candidíase na região inguinal
  • Reativações virais – herpes zóster, herpes simples labial ou genital, verrugas (papilomavirus)
Câncer e Pele: herpes zoster
Herpes Zoster inercostal

Lesões aparentemente simples podem evoluir mais rapidamente, exigindo avaliação imediata.

A higiene adequada, sem exageros na limpeza, a secagem adequada das dobras, e a inspeção diária da pele são medidas fundamentais.

6. Radiodermite

Lesões relacionadas à radioterapia.

Mais frequentemente ocorrem em tratamentos combinados.

Vão ser localizadas sempre próximas ao local que sofre a irradiação.

6.1 Aparência das lesões

  • Vermelhidão leve
  • Descamação seca
  • Descamação úmida
  • Formação de feridas ou úlceras, como uma queimadura.
Câncer e Pele: radiodermite
Radiodermite -cancer de mama

6.2 Cuidados com a Pele Irradiada

  • Evitar exposição solar
  • Não utilizar produtos irritantes
  • Seguir orientações da equipe oncológica

7. Impacto Psicossocial das Alterações Cutâneas

As alterações dermatológicas alteram a aparência da face e do corpo.

Podem gerar constrangimento, afetando a autoestima, alterando a identidade da pessoa, limitando o convívio social e gerando problemas mentais associados à aceitação.

O suporte psicológico e a orientação adequada são essenciais para o enfrentamento saudável.

Além de tratar as alterações, recursos como:

  • Perucas
  • Lenços
  • Maquiagem corretiva
  • Grupos de apoio

Podem auxiliar significativamente na adaptação às mudanças corporais.

8. Importância da Abordagem Multidisciplinar

O manejo adequado exige integração entre toda a equipe de tratamento:

  • Oncologista
  • Dermatologista
  • Enfermeiro
  • Psicólogo
  • Nutricionista

A dermato-oncologia surge como área especializada no cuidado dessas complicações, promovendo protocolos de prevenção e tratamento mais eficazes.

9. Medidas de Controle e Prevenção

Algumas orientações básicas servem para todas as alterações da pele no câncer e nos tratamentos de câncer:

  • Hidratação diária da pele – reduzir a quantidade de lavagens e usar substâncias umectantes.
  • Fotoproteção – Evitar exposição solar excessiva. Usar roupas e chapéus para proteção.
  • Evitar produtos com álcool e fragrâncias, que podem aumentar a irritação da pele
  • Comunicar qualquer nova lesão à equipe médica

A intervenção precoce reduz complicações e evita interrupções desnecessárias do tratamento.

Concluindo:

As manifestações cutâneas em pacientes com câncer e em quimioterapia são frequentes, multifatoriais e podem impactar profundamente a qualidade de vida. Elas podem resultar da própria doença, de síndromes paraneoplásicas ou dos efeitos colaterais dos tratamentos antineoplásicos.

Embora muitas não representem risco imediato à vida, seu impacto físico e emocional é significativo. A identificação precoce, o acompanhamento multidisciplinar e a educação contínua do paciente são fundamentais para garantir não apenas a eficácia do tratamento oncológico, mas também a preservação da dignidade, autoestima e bem-estar.

A pele é mais do que um órgão de revestimento — ela é expressão visível da saúde e do cuidado integral ao paciente com câncer.

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